Por que a São Silvestre congestiona?

Por Sérgio Xavier

Amanhã tem São Silvestre. Amanhã tem emoção, diversão e… muvuca. Tão certo quanto os congestionamentos em vésperas de feriado nas estradas Paulista é o congestionamento de corredores na Avenida Paulista no dia 31. Os 30 mil corredores da principal prova de rua da América do Sul vão se embolar nos primeiros quilômetros como de hábito. E vão caminhar, como sempre.

Não precisava ser assim. 30 mil corredores é um bocado de gente, mas em Nova York são 50 mil ano após ano, e todo mundo corre. Maratona de Berlim, Londres, Boston, Tóquio, Paris, dezenas de milhares de pessoas alinhadas na largada e a turma corre, não caminha. Os grandes eventos, basicamente, “organizam” a largada, o momento mais sensível de uma prova de rua. No momento da inscrição, consultam os atletas sobre seus ritmos e os colocam em pelotões correspondentes na largada. Além disso, dividem a largada em “ondas” e assim liquidam com os congestionamentos.

Na São Silvestre, nunca foi assim. Quem chega antes larga antes, basicamente. Como os da frente não são necessariamente os mais rápidos, tudo para. Uns 40 minutos para todos passarem a largada. Caminhadas nos primeiros quilômetros para a maioria.

Dá pra ser diferente, mas dá trabalho. É preciso fiscalizar os ritmos informados pelos corredores. Muita gente só quer largar na frente e acaba mentindo. É preciso dividir os pelotões de largada em ondas. E fiscalizar a entrada de cada atleta no seu lugar correto. Dá trabalho. O problema da São Silvestre não é excesso de corredores, mas organização.

Dá pra melhorar. Mas não será na manhã desse domingo. Amanhã ainda é dia de muvuca.